Semana de Museus é realizada no MTB

Publicado em 29 Mai 18


O V Encontro de Pesquisadores do MTB integrou a programação com mesas-redondas e Grupos de Trabalho

 

Jacqueline Batista – jornalista e Anna Sales – estudante de Jornalismo

 

Eventos acadêmicos e culturais fizeram parte da “16ª Semana Nacional de Museus”, que aconteceu entre os dias 16 e 18 de maio, no Museu Théo Brandão (MTB), com o tema “Museus hiperconectados: novas abordagens, novos públicos”.

 

Na abertura do evento, a mesa foi composta por Ricardo Cabús, da Coordenadoria de Assuntos Culturais (CAC), pelo diretor do Museu, José Acioli, pela pró-reitora de Extensão, Joelma Albuquerque e pelo professor Alcides Sales, artista da exposição “Educando e reciclando com arte”, que foi inaugurada na ocasião. O bailarino e intérprete José Marcos participou da abertura com a apresentação “Poéticas na R.U.A”.  O trabalho, cuja direção cênica visual é de Acioli Filho, teve a interação do público que prestigiou a programação.

 

A pró-reitora saudou a iniciativa da realização do evento e ressaltou o quanto é fundamental a valorização da cultura e a importância de espaços como o MTB. Alcides Sales salientou a importância da logística reversa e de recusar produtos que geram resíduos, como por exemplo, embalagens de supermercado. Foi pensando em um melhor aproveitamento de embalagens usadas na residência, que veio a ideia de reciclar, transformar em arte. “Há dez anos, surgiu essa proposta, que foi abraçada pelo Museu Théo Brandão. O objetivo da exposição é trabalhar a  educação ambiental”, disse Alcides.

 

Após a abertura da mostra, foi realizada a mesa-redonda, “Novas tecnologias e novas abordagens de público em museus”. Coordenada por Bernardo Ferraz, do Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes (ICHCA/UFAL), a mesa teve a participação de Cíntia Rodrigues, do Museu de História Natural (MHN/UFAL) e Victor Sarmento (MTB/UFAL).

 

Victor apresentou o que foi avaliado em seu trabalho de mestrado, no qual se realizou uma análise sobre a experiência de visitação do usuário da Pinacoteca Universitária, no contexto do Design de serviços. O pesquisador mostrou a história da origem dos museus no mundo, o perfil do público dessas instituições, segundo a teoria aplicada na dissertação, além de diretrizes ou sugestões de melhorias para a Pinacoteca, de acordo com a pesquisa realizada.

 

Interatividade no museu

 

Cíntia Rodrigues, do Museu de História Natural (MHN), contou que o público do projeto “Fim de Semana no Museu” foi surpreendente. “Começou de forma despretensiosa e o resultado foi muito bom”. A experiência apresentou novas demandas para o MHN. “Recebemos crianças muito pequenas, que são cada vez mais estimuladas. Estamos pensando em adequar alguns espaços para esse público. As pessoas querem uma forma de acolher mais interativa no museu”, disse Cíntia.

 

Na quinta, 17, aconteceu a mesa-redonda “Patrimônio em risco”, com José Roberto Lima (ICHCA/UFAL), Fernanda Renchenberg, do Instituto de Ciências Sociais (ICS/UFAL) e Josimary Omena Passsos Ferrare, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/UFAL). A coordenação foi realizada por Renata Batista (ICHCA/UFAL).

 

Josimary Omena falou sobre casos e descasos em edificações e espaços públicos alagoanos. Entre os casos, a professora citou o processo de restauro, ocorrido no MTB, na Associação Comercial, na Igreja Nossa Senhora do Ó, em Ipioca, entre outros. “É muito importante o investimento de recursos para o restauro e preservação”, frisou.

 

A professora também lembrou o descaso com a antiga casa rosada, demolida, na Pajuçara, onde foi construído um edifício. Ela também citou, entre outros, o exemplo da demolição do salva vidas da Praia da Avenida, as irregularidades na preservação das fachadas dos prédios que compõem as lojas do comércio de Maceió, e mostrou o caso do prédio da Antiga Intendência Municipal, que foi depredado.

 

Fernanda Rechenberg falou sobre o trabalho na recuperação do acervo fotográfico do MTB, dificuldades e soluções de preservação. “As coleções fotográficas demandam condições muito especificas de acondicionamento, de temperatura adequada. Esse processo de estancar a perda material é possível por meio do congelamento, que é um procedimento muito caro”, disse. Fernanda explicou que o clima do país favorece maior risco para coleções fotográficas. “No Museu, pelas condições ambientais e localização, o patrimônio está sempre em risco. Isso não é uma particularidade do Théo Brandão, mas, sim, dos museus brasileiros”, ressaltou a pesquisadora.  

 

Museus são lugares de conhecimento

 

 

O professor José Roberto abordou, entre outros assuntos, a história da legislação de Patrimônio. “A educação patrimonial deve ser o grande mote nas escolas. A aula não deve ser dada apenas em sala. Museus e outros espaços públicos também são lugares de conhecimento”, disse. O professor falou sobre a questão dos sítios arqueológicos e as dificuldades de trabalho nesses lugares, uma vez que a população desconhece quantos existem e não há um mapeamento preciso dessas áreas, o que dificulta ainda mais a pesquisa. Ele também destacou que áreas, mesmo tombadas, não deixam de sofrer invasão ou são demolidas.

 

Ainda na quinta, houve apresentação dos Grupos de Trabalho “Museus hiperconectados: novas tecnologias e novas abordagens de público”, “Patrimônio em risco e suas abordagens” e “História, memória e esquecimento”. Foram divulgadas diversas pesquisas, tanto nas áreas artísticas, como patrimonial e memorial. Arte transformista, representação do homem nordestino nos cinemas, ressignificação do patrimônio e antropologia das ruas de Viçosa integraram os temas abordados.

 

Na sexta, último dia da programação, a mesa-redonda “O museu como espaço de educação, memória e socialização”, coordenada por Hildênia Oliveira (MTB/UFAL), teve a participação de Cristina Barroso (DMS/UFS) e Fernando de Jesus Rodrigues (ICS/UFAL). A professora Cristina destacou a interatividade nos museus. “O museu é um grande contador de histórias. A contação tem que ser interessante, atrativa, pois a exposição comunica, ela é um recurso visual.  Tem que saber se esse recurso conta mesmo uma história e fazer o convite emocional para o público”, disse Cristina.

 

Falta de acesso

 

Com o tema “Acesso a bens culturais de adolescentes em conflito com a lei”, o professor Fernando Rodrigues explicou que em sua pesquisa foi constatado que 58% dos jovens não tinham acesso ou não conheciam equipamentos culturais, como museus. No interior esse número seria ainda maior, mostrando uma clara desvantagem entre as zona urbana e rural.

 

As apresentações do Grupo de Trabalho do dia fizeram resgate memorial, tais como a cata artesanal de sururu e a memória coletiva das lendas de Atalaia. Alguns pesquisadores também levantaram questionamentos, como a acessibilidade nos museus de Laranjeiras e a preservação memorial das artistas negras. 

 

Em comemoração ao Dia Internacional de Museus (18 de maio), o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) promoveu a “Semana Nacional de Museus”, convidando instituições museológicas de todo o país a desenvolverem uma programação especial. Nessa edição, o MTB integrou os 1.130 museus brasileiros que participaram da “Semana”.





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