Museu Théo Brandão participou da Bienal com estande e ampla programação

Publicado em 11 Out 17


Jacqueline Batista – jornalista e Letícia Bezerra – estudante de Relações Públicas

 

Lançamento de livros, rodas de conversa, mesa-redonda, performances artísticas e oficinas fizeram parte da programação que o Museu Théo Brandão(MTB) levou à 8ª Bienal do Livro de Alagoas.

 

No sábado, 30 de setembro, o público, composto em grande parte por alunos de escolas públicas, teve a oportunidade de ver performances de dança como a do grupo Cara Crew, que apresentou “Urbanestinos”. A coreografia tem influência de danças do Nordeste, a exemplo do Coco de Roda. Seus passos rápidos e expressivos, junto à batida das músicas, contagiaram a plateia.

 

O projeto “Inquietação” foi executado por Alessandra Sandes, Elizângela Santos e Maria José Santos Dias. Ao mesmo tempo, em pontos diferentes do palco, cada uma delas abordou um tema específico. Elizângela fez uma interpretação sobre a inquietação com o tempo, Maria José fez referências ao invisível, e Alessandra abordou a temática sobre abusos e violência contra a mulher. A plateia reagiu impactada e satisfeita com encenação. “Expressaram muito bem a proposta”, disse a estudante Geovana Vanessa.

 

Ao som de Liniker, Marciel Ferreira usou um figurino colorido e apresentou a performance “Corbelo”, interagindo com o público, que estava atento aos passos da coreografia. Na segunda música, o artista fez um protesto contra a homofobia, mostrando no peito a frase pintada “Não sou doente”, uma referência à liminar que permite aos psicólogos tratarem a homossexualidade como doença. No bate-papo após a apresentação, o dançarino ressaltou a mensagem de empoderamento homossexual, que a coreografia busca passar. Ele também explicou o nome da performance, que faz referência à desconstrução da ideia de corpo perfeito, pois “Corbelo” é a junção das palavras corpo e belo.

 

"O amor e o respeito"

 

O grupo SDKQ trouxe street dance para tarde de apresentações. Eles iniciaram com a leitura de um texto sobre os valores presentes na coreografia. “Dançaremos o amor e o respeito”, disse uma das integrantes da equipe. O grupo apresentou um trecho da dança “Diversidade”, que, posteriormente, foi apresentada na íntegra durante a Bienal, no teatro Gustavo Leite. O projeto é uma iniciativa do professor coreógrafo Leonardo Emiliano.

 

Ao término, Nadir Nóbrega, diretora do MTB, deixou uma mensagem conscientizadora. “Não se deve olhar a escola pública como um local de meninos marginais e meninas despreocupadas com os estudos”, disse. Ela também ressaltou que o grupo SDKQ mostra que não precisa ser um produto de universidade para ser sério e bem feito.

 

Houve também apresentações das performances “Realidade apropriada libera evidência” (com Jessé Batista), “Geledés: uma história não contada” (com Nadir Nóbrega), “Relatos Banais” (com Carleane Correia), Canaviais (com Eves Silvestre) e “Centelhas” (com Carleane Correia e Jailton de Oliveira).

 

“Sou negona, sim senhora”

 

No domingo (1º de outubro), aconteceu uma roda de conversa e lançamento do livro “Sou negona, sim senhora: um olhar nas práticas espetaculares dos blocos afro Ilê Aiyê, Olodum, Malê Debalê e Bankoma no carnaval soteropolitano”, da professora Nadir Nóbrega.

 

O “Fórum Mestre Zumba: Pensamentos Afroameríndios” realizou toda a programação da segunda (2), iniciando com o “I Encontro do Grupo de Pesquisa Poéticas da Dança e Transculturalidades”, que teve a participação das professoras Ana Clara dos Santos (ETA/Ufal), Joana Pinto Wildhagen (Ichca/Ufal) e Nadir Nóbrega (Ichca/Ufal). As professoras discutiram questões relacionadas ao grupo de pesquisa. Joana destacou que os eixos centrais são os mecanismos de pesquisa e criação em dança.

 

Na ocasião, a mesa-redonda “Pesquisas em artes e políticas culturais nas Universidades” foi formada por Inaicyra Falcão dos Santos, cantora lírica e professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Rodriggo Leopoldino Cavalcanti, bibliotecário do Centro de Educação e coordenador da Cátedra José Maria Martí, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

 

Rodriggo falou sobre a importância da obra do cubano José Martí para Cuba e para o mundo, enfatizando o Brasil. “A obra de Mártí é fundamental para entender a realidade brasileira. Não conhecemos o Brasil. Não só na questão do território, mas no seu sentido”, ressaltou. Na oportunidade, o bibliotecário doou para a biblioteca do museu o segundo volume do livro “Pensadores da grande pátria: José Julián Martí – político, poeta e guerreiro”, escrito por Lilliana Rojas.

 

O Fórum continuou, à tarde, com a mesa-redonda “Protagonismo de mulheres no hip hop e no streetdance” com a participação de Sara Oliveira (graduanda de licenciatura em Dança pela Ufal e coreógrafa do grupo de dança Cara Crew). Ela contou como a universidade a fez modificar o olhar para a dança e falou da experiência de ser líder feminina em um grupo de hip hop.

 

Em seguida, houve a apresentação do solo de dança Kronos (com Jailton Oliveira) e a performance Centelhas (com Carleane Correia). A programação do fórum terminou com a roda de conversa em torno do lançamento do livro “Corpo e Ancestralidade: uma proposta pluricultural de dança-arte-educação”, de Inaicyra Falcão dos Santos.

 

Na terça, (3), foram apresentadas as performances “Retratos da nossa cor” (com José Marcos dos Santos) e a dança zouk (com Lorennys Perez). 

 

Presença do negro nas narrativas

 

Na quinta (5), a oficina “Memória, ancestralidade e espaciocorpografias negras na obra de Fausto Antônio” foi facilitada pelo próprio autor, que além de escritor, é professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). Fausto fez uma análise da presença do negro na literatura e televisão brasileira. “Há um número muito baixo de personagem negra e negro nas narrativas brasileiras. Quando existem, não têm profundidade e são ligados a profissões não exitosas. Existe uma ausência de história. É sem família, é assexuado. É preciso a construção de um ponto de vista voltado para a população negra. É preciso ter temas, linguagens, personagens negros. É necessário levar em conta, na literatura, que há negros do outro lado do processo”, disse o escritor.

 

Em seguida, foi realizada uma roda de conversa, a partir da leitura do livro “No reino da Carapinha”, cujo lançamento aconteceu no mesmo dia, na Praça de Autógrafos, juntamente com “Memória dos meus carvoeiros”.

 

A programação do MTB foi finalizada na sexta (6) com a oficina “Introdução ao Kuchipudi” (dança clássica da Índia), facilitada pela dançarina indiana Maya Vinayan.

 

Projeto "Ciranda"

 

O estande do Museu exibiu objetos da cultura popular, como a réplica do Museu, o chapéu de Guerreiro e o boi de carnaval, uma das peças que mais chamou a atenção do público. Também estiveram à mostra os livros “Folguedos Natalinos” (de Théo Brandão), e Contos do Coco de Alagoas (de Aloísio Vilela), entre outros títulos na área de antropologia e folclore. O estande do MTB foi o primeiro espaço a receber o projeto "Ciranda".

 

Um dos objetivos do projeto é arrecadar brinquedos novos e seminovos, em bom estado de conservação, que serão doados a instituições sociais, voltadas a crianças carentes. O público participou e apoiou o projeto, que terá continuidade em outros pontos de coleta em espaços da Universidade.





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