Coleção Afro-Brasileira do MTB

Publicado em 04 Dez 15


Julio César Chaves*

 

O Núcleo de Museologia do Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore da Universidade Federal de Alagoas – MTB/Ufal, juntamente com o Projeto de Extensão Museu em Movimento e o Programa de Ações Interdisciplinares da Ufal – Painter (Edital Nº 001/2014) está pesquisando a Coleção Afro-Brasileira da instituição. A equipe é formada pelos servidores José Carlos da Silva, Julio Cézar Chaves e os bolsitas Higor Silva Oliveira (Proest/Ufal), Marney Garrido e Thaís Padilha (Painter).

 

Além da pesquisa, a equipe está higienizando, acondicionando e fotografando os objetos da referida coleção. Um dos objetivos é elaborar uma biografia cultural da Coleção Afro-Brasileira do MTB.

 

Os objetos dessa coleção possuem histórias e trajetórias diversas. Os principais doadores foram o médico-legista Luiz Duda Calado, mais conhecido como Duda Calado; o folclorista e antropólogo Théo Brandão; a família do pai de santo Geraldo; e Paloma Vergas.

 

Na década de 1980, a então Coleção foi pesquisada pelo museólogo e antropólogo Raul Lody e um dos resultados desse trabalho foi a publicação no livro-catálogo Coleção Afro-Brasileira Museu Théo Brandão (Funarte), 1987.

 

A maioria dos 90 objetos pesquisados por Lody foi doada pelo médico-legista Duda Calado, como atabaques, abebês, quartinhas, oxês, xéres, Exus, Preto-Velhos, Caboclos, entre outros (figuras 1, 2 e 3). Ferro, gesso policromado, folha de flandres, latão, cerâmica foram os principais materiais empregados na confecção desses objetos.

 

 

Figuras 1, 2, 3: Objetos rituais (abebê, quartinha e Exu) da Coleção Museu Afro-Brasileira Museu Théo Brandão.

 

O médico-legista alagoano Duda Calado foi por mais de 40 anos o responsável pelo Instituto Médico Legal da Secretaria de Segurança Pública do Governo do Estado de Alagoas. Natural de Paulo Jacinto - AL, Duda Calado formou-se na Faculdade de Medicina da Bahia, em Salvador, na primeira metade do século XX, assim como Théo Brandão, Artur Ramos, Abelardo Duarte, Estácio de Lima, Nise da Silveira e José Lages Filho.

 

Não existem dados sobre as origens dos objetos doados pelo médico-legista, apenas que Duda Calado os colecionava no IML. Lody (1987), na referida publicação, destaca que muitos vieram das delegacias de polícia e outros foram doados por psiquiatras e médicos legistas. Ainda, segundo Raul Lody (1987), a Coleção do MTB juntamente com a Coleção Perseverança do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas - Ihgal formam “um dos mais representativos acervos da memória africana e afro-brasileira” do país.

 

A pesquisa está em andamento, na medida em que está inserida no Programa de Gestão Documental do acervo do MTB. As principais dificuldades encontradas, até aqui, foram a ausência de dados relacionados às trajetórias dos objetos doados pelo médico-legista, e divergências entre os dados existentes nas fichas de identificação do MTB e as informações do livro-catálogo (elaborado por Lody) utilizado para a compilação de dados referentes aos objetos. Ainda assim, a nossa percepção é que essa pesquisa, de um modo geral, tenha apresentado avanços satisfatórios no campo da investigação.

 

* Julio Cézar Chaves coordenou o trabalho de pesquisa sobre a Coleção Afro-Brasileira do Théo Brandão. Ele foi museólogo do MTB entre março de 2012 e setembro de 2015. A referida Coleção também foi objeto de pesquisa da sua dissertação de Mestrado na Universidade de Coimbra – UC, UMA BIOGRAFIA CULTURAL DA SALA FÉ DA EXPOSIÇÃO DE LONGA DURAÇÃO DO MUSEU THÉO BRANDÃO DE ANTROPOLOGIA E FOLCLORE - Ensaio de museologia etnográfica, sob a orientação da Profa. Dra. Vera Manuela Miranda Marques Alves, e defendida em julho de 2015. Este texto foi desenvolvido com a colaboração do servidor do Museu, José Carlos da Silva, e dos bolsitas Higor Silva Oliveira, Marney Garrido e Thaís Padilha.

 

 





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