Projeto de restauração do MTB é finalizado

Publicado em 16 Abr 21


A elaboração de projetos terá continuidade em outros espaços de cultura da Universidade

 

Jacqueline Batista - jornalista

 

Com o objetivo de preservar os equipamentos culturais da Ufal, estão sendo elaborados projetos de restauração desde novembro de 2020, por meio do projeto de extensão “Consultoria especializada para o desenvolvimento dos projetos de restauração dos equipamentos culturais da UFAL”, do Grupo de Pesquisa Representações do Lugar (RELU), da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo(FAU) da Ufal . Estão incluídos no projeto o Museu Théo Brandão (MTB), a Pinacoteca Universitária, o Espaço Cultural, o Museu de História Natural (MHN) e a Usina Ciências.

 

O projeto de extensão é coordenado por Adriana Duarte, arquiteta restauradora e professora da Ufal, e conta com a colaboração da arquiteta do Museu Théo Brandão Cynthia Fortes, de Adriana Capretz, professora da FAU e de alunos do curso.

 

O primeiro projeto arquitetônico a ser elaborado foi o do Museu Théo Brandão, cuja autoria é de Adriana Duarte e Cynthia Fortes. O edifício histórico, tombado pelo Estado de Alagoas desde 1983, teve o último trabalho de restauração há quase vinte anos, tendo sido iniciado em 2000 e concluído em 2002. Cynthia afirma que o projeto, aprovado pelo Pró-Memória (Diretoria da Secretaria de Estado da Cultura), seguiu os manuais do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) e todas as normas técnicas vigentes. “A proposta buscou garantir as condições físicas adequadas para o correto funcionamento dos espaços museológicos, administrativos e de serviços gerais, com destaque para a norma de acessibilidade”, explicou a arquiteta.

 

Na realização do projeto do MTB, foram consultados todos os funcionários individualmente para que expusessem o máximo de informações técnicas possíveis sobre as atividades que desempenham e sugestões para melhoria do ambiente de trabalho. Segundo as autoras, o projeto teve grande contribuição de profissionais que participaram da obra da restauração no ano de 2000, como o consultor de restauro e professor Mário Mendonça, da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (FAU/UFBA) e Josemary Ferrare, professora aposentada da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/UFAL) e uma das autoras do projeto original de restauração.

 

Adriana explicou que vários serviços restaurativos foram propostos com base em documentos históricos, como a restauração das esquadrias e ladrilhos hidráulicos de todo o prédio e a prospecção das colunas adossadas das varandas da cúpula, em busca de pinturas artísticas. As soluções espaciais tiveram ponto central na reorganização do setor de Museologia e na realocação dos ambientes das reservas técnicas e da Biblioteca para espaços com condições mais favoráveis à conservação do acervo. “A proposta busca reposicionar o MTB como equipamento cultural da UFAL e a serviço da sociedade alagoana. Pensa-se não somente o edifício em si como patrimônio arquitetônico, mas o envoltório que guarda o precioso acervo do folclorista Theotônio Brandão Vilela”, salienta Adriana.

 

Atualmente, a equipe do projeto de extensão está iniciando os estudos para desenvolver os projetos do Espaço Cultural e da Pinacoteca.

 

Novo Museu Théo Brandão

 

De acordo com Victor Sarmento, diretor do MTB, esse projeto arquitetônico é uma etapa de um projeto mais amplo do Museu, denominado “Novo Museu Théo Brandão”, cujo objetivo, além da preservação, inclui um novo projeto expográfico, a reestruturação de laboratórios e de setores administrativos, entre outros. Victor ressalta a importância do trabalho desenvolvido até o momento. “Essa ação pioneira na Universidade, a junção do trabalho que as arquitetas vêm desenvolvendo, especificamente no Museu Théo Brandão, possibilitará conseguirmos orçamento, seja por meio da participação em editais, seja por emendas, porque somente com o projeto podemos buscar recursos. Isso traz esperança em uma total requalificação do Museu para que possamos ampliar as nossas pesquisas e atender ao nosso visitante de uma forma mais atual, com uma imersão interativa, digital, colocando o Museu em outro patamar”, disse Victor.

 

Sobre o projeto elaborado para o MTB, o pró-reitor de Extensão, Clayton Santos, ressalta o trabalho integrado das equipes do Museu, da Superintendência de Infraestrutura (Sinfra) e das arquitetas. “As equipes estão de parabéns por terem feito esse trabalho dessa forma, num prazo rápido, dada a complexidade da obra, conseguindo entregar um projeto muito consistente. Queremos ressaltar o empenho de todos que se envolveram com esse projeto, a equipe do Museu trabalhou com muito afinco e a direção do MTB liderou esse processo”,disse Clayton.

 

O pró-reitor também destacou a importância desse trabalho. “Nós precisávamos ter o projeto porque só assim podemos pleitear recurso federal e, consequentemente, licitar e realizar as obras. Sem projeto, sem saber quanto custa e o que pretendemos fazer, fica impossível. Esse trabalho é vital para que possamos ter sucesso até a concretização da obra”, salientou.

 

A importância de dar continuidade a realização de projetos para os outros equipamentos culturais da Ufal foi ressaltada pelo pró-reitor. “Lembrando que esse projeto da restauração dos equipamentos começou no Museu, mas neste momento, estamos planejando, fazendo os esforços para a realização dos projetos de reforma do Espaço Cultural. Logo após, queremos fazer os projetos do Museu de História Natural e da Usina Ciência”, disse.

 

Busca de apoio

 

Clayton afirmou que as articulações na obtenção de recursos para as obras do MTB já foram iniciadas. “Apesar da Universidade está passando por um processo de muita dificuldade financeira, com a diminuição do orçamento, o que vem impactando vários serviços, a Ufal não está parada e esse trabalho conjunto é a grande prova disso. Mesmo nesse cenário, tanto a Reitoria, com o professor Tonholo e a professora Eliane, quanto a Proex, nós estamos nos articulando, buscando apoio. Já apresentamos o projeto a alguns parlamentares da bancada federal, que se comprometeram a tentar viabilizar esse recurso na União. O valor é estimado em dez milhões de reais para a obra completa, tanto a parte física, quanto a expográfica”, salientou.

 

O pró-reitor explicou que os recursos podem ser obtidos via emenda parlamentar ou por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “Nós já estivemos em uma reunião muito produtiva com o Iphan, que se mostrou parceiro na execução desse projeto. Estamos refinando essa parceria com o Iphan e com membros da bancada para que possamos ter esse recurso garantido e entregar o Museu totalmente reformado à comunidade”,disse Clayton.

 


 





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