Museu Théo Brandão celebra 45 anos com live sobre cultura popular

Publicado em 12 Ago 20


O bate-papo comemora também o Dia do Folclore

 

Jacqueline Batista - jornalista


No próximo dia 20 de agosto, o Museu Théo Brandão (MTB) irá completar 45 anos. Já no dia 22 deste mês é o Dia do Folclore. Em tempos de pandemia, a dupla comemoração vai acontecer a distância, com uma live. O bate-papo sobre cultura popular será no dia 20, às 19h, mediado pela museológa Hildênia Oliveira e com a participação do percussionista Wilson Santos e do jornalista e brincante do Guerreiro São Pedro Alagoano, João Lemos. Você pode assistir a live no canal do Youtube (Youtube.com/TVMuseuTheoBrandao).

 

O distanciamento imposto pela pandemia trouxe outras formas de interação para um momento de tradicional festividade no MTB. “O Museu Théo Brandão está se adequando a atual realidade para que a alegria da cultura popular não seja esquecida. Apesar dos problemas atuais, temos que celebrar nossos melhores aspectos”, disse o diretor do MTB, Victor Sarmento.

 

De fato, a cultura popular é uma das melhores características do Brasil e de Alagoas, estando presente em diversas manifestações artísticas: folguedos, canções, ritmos, indumentárias, objetos de arte, cordéis, histórias contadas ao longo do tempo. O rico universo da cultura popular e do folclore é o que nos diferencia, como atesta a museóloga Cármen Lúcia Dantas. “A cultura popular, entre todas as manifestações culturais, é a que melhor reafirma os valores identitários de um povo”, disse.

 

Alagoas é um dos Estados com maior variedade de folguedos tais como Pastoril, Guerreiro, Baianas, Reisado, entre tantos outros. A riqueza cultural alagoana é reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). “O Estado é detentor de um rico patrimônio imaterial derivado das suas vertentes étnicas: colonizadores europeus, indígenas e negros vindos da África”, afirma texto publicado no site da instituição.

 

Como se sabe, em outros tempos, a presença dos folguedos já foi bem maior. No livro “Folguedos Natalinos”, Théo Brandão descreve essa efervescência cultural popular. "Ao apagar das fogueiras juninas, inicia-se o período de ensaios para os vários folguedos natalinos. Em diversas regiões do Estado de Alagoas, aos sábados e domingos, reúnem-se mestres, tocadores, ensaiadores e brincantes para os ensaios desses grupos, geralmente realizados ao lado de bodegas, onde o proprietário consegue recursos para o traje da brincadeira", escreveu o folclorista alagoano.


 

A palavra folclore


 

Expressão da cultura mais genuína, o folclore é um modo de conhecer um determinado povo e parte de sua história. Coube a William John Thoms, em 1846, propor o neologismo inglês folk-lore (saber do povo). Esse sentido inicial da palavra foi sendo ampliado e modificado ao longo do tempo, gerando até conflitos acadêmicos e ideólogicos.

 

No artigo "Entendendo o Folclore e a Cultura Popular”, a antropóloga e professora Maria Laura Viveiros de Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que é difícil dizer onde começa e onde termina o folclore. “É preciso compreender o folclore e a cultura popular não como fatos prontos, que existem na realidade do mundo, mas como um campo de conhecimentos e uma tradição de estudos. Isso quer dizer que essas noções não estão dadas na natureza das coisas. Elas são construídas historicamente, dentro de um processo civilizatório, de acordo com diferentes paradigmas conceituais e, portanto, seu significado varia ao longo do tempo”, destacou a professora.





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