Documentação museológica é realizada em acervo de matriz africana

Publicado em 04 Abr 19


Setor de Museologia do Théo Brandão foi responsável pelo trabalho

 

Jacqueline Batista - jornalista

 

O Museu Théo Brandão (MTB) realizou a documentação museológica das peças pertencentes à coleção particular do babalorixá Pai Célio. O trabalho, finalizado em março pela equipe do setor de Museologia, consiste em uma etapa inicial de inventário, com higienização, marcação de número de tombo, medidas, descrição da peça, do material composto, adereços, camadas pictóricas, origem, simbologia e fotografia. 

 

Esse acervo fez parte da exposição “Narrativas visuais afro-brasileiras”, inaugurada no MTB, em novembro do ano passado e em cartaz até março. Além da coleção do babalorixá, foram exibidas telas do artista Salles Tenório e mamulengos feitos por José Acioli e Nani Moreno.

 

Entre as 148 peças que compõem o acervo particular, destacam-se objetos de tribos indígenas do Paraguai, peças de Benin e muitas de outros países da África, que foram obtidas por meio de compras e presentes recebidos. A museóloga do MTB e coordenadora da atividade, Hildênia Oliveira, explica que o máximo de elementos das peças foram registrados. “Colocamos todas as descrições possíveis que puderam ser encontradas. E o que não foi possível, ficará para futuras pesquisas”, disse.

 

As peças começaram a ser trabalhadas em novembro do ano passado. A documentação proporcionou ao acervo mais segurança e facilidade para futuras exposições. “O acervo, agora, é caracterizado como museológico e não apenas decorativo. Com a documentação, passou a ter valores agregados. Tornou-se um acervo salvaguardado e pronto para exibição. Pode, inclusive, ser registrado no Ibram, como coleção particular”, disse Hildênia.

 

De acordo com Pai Célio, haverá um espaço na praia da Sereia, o Axé Pratagy, onde as pessoas poderão ter acesso permanente às peças.  "Isso é importante porque, em Alagoas, não temos nenhum acervo com essa conotação de matriz africana. O trabalho produzido foi de suma relevância para mim, para a Casa de Iemanjá e comunidade de matriz africana. As peças são minhas, mas pertence a Casa de Iemanjá. Pretendemos também expor em outros lugares. A catalogação foi um trabalho muito valioso, um passo importante para que essas peças possam ser vistas pelo público em geral", disse o babalorixá.

 

 





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