Bloco “Filhinhos da Mamãe” homenageia Nise da Silveira

Publicado em 09 Fev 15


Jacqueline Batista - jornalista

 

O pré-carnaval de Maceió já virou uma tradição na cidade. Cerca de uma semana antes do carnaval, as ruas são invadidas pela alegria dos foliões. O bloco “Filhinhos da Mamãe” sempre sai em uma sexta, à noite. No dia 6 de fevereiro de 2015, a folia se repetiu. A concentração começou às 20h, no pátio do Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore.

 

Os foliões prepararam suas fantasias para um encontro mais que esperado: rever a “mamãe”, a boneca gigante que reúne cerca de oitocentos foliões na concentração e mais de dois mil pessoas na rua, segundo a organização do evento. Em 2015, a grande homenageada do bloco carnavalesco foi a psiquiatra alagoana Nise da Silveira.

 

Nesse ano, os organizadores não fugiram da tradição de criar títulos extensos para o tema carnavalesco. Com o objetivo de prestar homenagem à psiquiatra e aos 200 anos de Maceió, a festa foi intitulada “A fantasia da loucura é terapia de alegria. Foi por isso que reinou nossa Nise da Silveira lá na casa das Palmeiras. Pois que toquem os clarins e estrondem os batuques, que o Filhinhos da Mamãe tem amor por Maceió pra mais de 200 anos!”.

 

“Mamãe” foi apresentada com uma roupa bem diferente. O figurino é uma criação do decorador Gil Lopes e a execução é de Roberto Gomez. Um dos organizadores do bloco, Ronaldo de Andrade, explicou que a roupa é estilizada e reúne elementos que referenciam o aniversário de 200 anos de Maceió, com a renda filé e as cores da bandeira em laços de presente, que ficam em volta da saia.

 

A cabeça foi ornamentada com um chapéu de plumas, cuja aba tem um gato. Um segundo gato ficou no braço da boneca. Os felinos são uma alusão ao trabalho da psiquiatra. Ela costumava chamá-los de coterapeutas e aproximava os pacientes dos gatos para facilitar a cura.  “Pela primeira vez, a mamãe vai usar chapéu, em referência ao período de juventude de Nise da Silveira, quando o chapéu era muito utilizado pelas mulheres”, disse Ronaldo.

 

A maceioense Nise da Silveira nasceu em 1905.  Foi a única mulher a se formar em Medicina, na Bahia, em uma turma de mais de 150 homens. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde morou até a morte, aos 94 anos. Seu trabalho é reconhecido internacionalmente por revolucionar o tratamento psiquiátrico vigente na época. Ela fundou o Museu de Imagens do Inconsciente e a clínica Casa das Palmeiras, ambos no Rio de Janeiro. A ideia de homenagear a ilustre alagoana surgiu de um dos “filhinhos”, o folião Roberto Nobre, durante uma reunião festiva.

 

Uma das características do bloco é o uso de fantasias. Elas são um espetáculo à parte. A brincadeira de se fantasiar é levada bem a sério pelos foliões, que participam do carnaval com vestimentas muito originais e criativas.

 

A programação começou às 20h, com show de frevo da cantora Vânia Garcia. Em seguida, aconteceu a abertura com Leureny Barros cantando o hino oficial “Mamãe, yes”. O concurso Pedro Tarsan de melhor fantasia de 2015 foi um dos momentos mais esperados da noite. A fantasia 175, de presidiário, do folião Ricardo maia, foi a grande vencedora. Em segundo lugar, a dupla Luciano Carvalho e André Cesar venceu com a fantasia em homenagem a Nise da Silveira. Em terceiro lugar, ficou a fantasia miss Paripueira, do artista Marco Aurélio.  

 

O bloco realizou uma homenagem a capital alagoana, com um boi de carnaval de Maceió, junto com o boi Dragão Lajense. Antes da saída, foi lançado o novo hino do “Filhinhos”, de autoria do maestro Rocha, da orquestra de frevo Temperado, de Penedo.

 

À meia-noite, o bloco saiu do Museu em direção à Igreja Nossa Senhora Mãe do Povo, em Jaraguá. No percurso, aconteceu a tradicional “apoteose de mamãe”, na Associação Comercial. É o momento em que a boneca gigante é levada, pelos guardiões, até o alto da escadaria do prédio histórico para ser admirada pelos foliões. O desfile foi finalizado em frente à igreja, quando foi feita uma louvação a Alagoas.

 

O bloco Filhinhos da Mamãe foi fundado em 1983 por artistas da Associação Teatral das Alagoas (ATA) e da Cia Teatral Comédia Alagoense. Os fundadores inspiraram-se no espetáculo teatral “Estrela Radiosa”.





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